Patrícia Ferreira Santos, a Paty Lee, volta a representar o município e o Litoral Norte no desfile nacional que acontece em 11 de novembro, na Pinacoteca de São Paulo
A estilista e costureira Paty Lee, de São Sebastião, está pelo segundo ano consecutivo entre os 20 finalistas nacionais do Concurso Moda Inclusiva, iniciativa do Governo do Estado de São Paulo que une moda, acessibilidade e inovação. A confirmação veio na última quinta-feira (10), quando a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) divulgou no Diário Oficial do Estado a lista oficial dos selecionados para a etapa final. O desfile de encerramento, que anuncia os vencedores, será realizado no dia 11 de novembro, na Pinacoteca de São Paulo, na Praça da Luz, região central da capital paulista.
Recorde de inscrições e seleção rigorosa
A edição 2026 registrou recorde de inscrições: foram 111 projetos recebidos de todo o Brasil, analisados em quatro reuniões de avaliação, com atribuição de pontuações e verificação da documentação de cada proponente. Ao final, foram selecionadas cinco propostas por categoria — infantil, esporte, adulto masculino e adulto feminino —, totalizando os 20 finalistas que agora precisam confeccionar as peças e apresentá-las na passarela.
Os critérios de avaliação consideraram a adequação do projeto à categoria e à deficiência selecionadas, pesquisa, desenvolvimento e inovação, criatividade, originalidade das soluções e estilo e linguagem de moda. Cada proposta deveria contemplar uma deficiência específica, apresentar viabilidade de produção e incluir descrição técnica e conceitual.
Patrícia Ferreira Santos (Paty Lee), de São Sebastião, figura na 15ª posição da lista oficial, ao lado de finalistas de cidades como São Paulo, Campinas, Osasco, Mauá, Peruíbe, Franca, Rio Claro, Londrina (PR) e Brotas de Macaúba (BA). Os selecionados foram comunicados por e-mail e têm até dez dias corridos para confirmar participação, sob pena de desclassificação e convocação de suplente.
Trajetória de costura, amor à moda e inclusão
Moradora do bairro São Francisco, Paty Lee costura desde os 13 anos e construiu sua trajetória entre a agulha, a linha e o propósito de tornar a moda um direito de todos. Na edição 2024/2025 do concurso, ela já havia representado São Sebastião na etapa final, concorrendo pela categoria esporte ao lado da modelo Vivian Vitória, no desfile realizado em 11 de agosto de 2025, também na Pinacoteca de São Paulo.
Em suas redes sociais, a estilista celebra a nova conquista e o reconhecimento do trabalho: além da vaga na final nacional, Paty Lee foi reconhecida como Estilista Destaque no prêmio Tô na Fama em 2025, conquista repetida neste ano. Ela também anunciou que uma de suas peças, que desfilou na edição anterior do concurso, passará a integrar um acervo museológico em São Paulo — marco que evidencia a consolidação da moda inclusiva como expressão cultural e artística.
Moda como instrumento de autonomia
Criado em 2009 pela SEDPcD, o Concurso Moda Inclusiva tem como objetivo estimular a criação de soluções de vestuário que combinem funcionalidade, conforto, autonomia, acessibilidade e design, facilitando o cotidiano de pessoas com deficiência e contribuindo para superar barreiras e preconceitos sociais. A proposta vai além da roupa adaptada: busca incentivar o mercado a desenvolver alternativas inovadoras que ampliem a autonomia e garantam às pessoas com deficiência o direito de escolher como se vestir, sem abrir mão de estilo, identidade e expressão pessoal.
“Esse resultado mostra a força da moda como instrumento de inclusão, autonomia e transformação. O Concurso Moda Inclusiva valoriza novos talentos e, ao mesmo tempo, chama a atenção da indústria e de toda a sociedade para a importância de desenvolver produtos que considerem as necessidades e a diversidade das pessoas com deficiência. Queremos uma moda que seja acessível, inovadora, funcional e, acima de tudo, que respeite a liberdade e a autonomia de cada pessoa”, afirmou Marcos da Costa, secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
O contexto é expressivo: segundo estimativas citadas pela própria SEDPcD, cerca de 3,3 milhões de pessoas com deficiência vivem no estado de São Paulo, o que representa aproximadamente 7,5% da população paulista. No plano legal, a pauta encontra amparo na Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que consagra a acessibilidade e o desenho universal como princípios, e na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro com status de emenda constitucional — fundamentos que reforçam a moda inclusiva como questão de dignidade, cidadania e participação social, e não apenas de tendência.
Premiação e desfile final
Os três primeiros colocados da edição 2026 receberão premiação em dinheiro, além de prêmios oferecidos pelos parceiros do concurso: R$ 8 mil para o primeiro lugar, R$ 6 mil para o segundo e R$ 3 mil para o terceiro. Na edição anterior, o primeiro lugar ficou com o projeto “Movimento Livre”.
Para Paty Lee, a vaga representa mais que um resultado pessoal: é a chance de levar o nome de São Sebastião e do Litoral Norte ao centro da cena da moda inclusiva brasileira, em um dos mais importantes equipamentos culturais do país.
Serviço
- Evento: Desfile final do Concurso Moda Inclusiva – Edição 2026
- Data: 11 de novembro de 2026
- Local: Pinacoteca de São Paulo – Praça da Luz, 2, Luz, São Paulo/SP
Por Redação/Rota55























