Mestra caiçara da Enseada leva São Sebastião ao cenário nacional com prêmio da pesca artesanal

0
24

Reconhecimento do Ministério da Pesca valoriza a tradição da salga de peixe e destaca a força da cultura caiçara do município

A cultura caiçara de São Sebastião ganhou destaque nacional com o reconhecimento da mestra Angélica Oliveira de Souza, 50 anos, moradora da Praia da Enseada. Ela é uma das vencedoras do edital de chamamento público promovido pela Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp) em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura na categoria que premia mestres e mestras tradicionais e populares da pesca artesanal brasileira. A candidatura e a aprovação no trâmite foram viabilizadas pelo Instituto de Memória Brasil Vivo, organização que assumiu a responsabilidade técnica do processo.

Guardião de um conhecimento transmitido por gerações, Angélica preserva a tradicional técnica da salga de peixe, prática herdada de sua bisavó, avó e mãe. Ao longo dos anos, transformou esse saber ancestral em uma importante ferramenta de valorização da cultura caiçara, desenvolvendo o projeto ‘Peixe de Varal’ e compartilhando seus conhecimentos por meio de oficinas, publicações e registros audiovisuais.

Para Angélica, a premiação representa o reconhecimento de uma tradição que atravessa gerações. “A salga do peixe é a herança que recebi das mulheres da minha família. O ensino e a cultura me dão um propósito diário. Receber esse prêmio do Ministério da Pesca, com todo o apoio e acolhimento do Instituto Brasil Vivo na inscrição, mostra que a nossa tradição caiçara do peixe seco tem força e nunca será esquecida”, destacou.

Segundo a diretora do Instituto Brasil Vivo, Alessandra Stropp, a conquista ultrapassa o reconhecimento individual e valoriza toda a cultura tradicional da região.

“O reconhecimento da Angélica é uma vitória de toda a cultura caiçara do Litoral Norte. Nosso papel como Ponto de Cultura é aproximar os mestres e mestras populares das políticas públicas e dos recursos disponíveis, garantindo que esses saberes continuem vivos e valorizados”, afirmou.

Com 15 anos de atuação, o Instituto Brasil Vivo desenvolve ações voltadas à defesa dos direitos humanos, fortalecimento das comunidades tradicionais, comunicação popular e preservação da memória coletiva.

A conquista de Angélica Souza reforça a importância da valorização dos saberes tradicionais e evidencia a riqueza cultural de São Sebastião, que mantém vivas práticas ancestrais fundamentais para a identidade caiçara e para a preservação da história das comunidades pesqueiras do município.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui