Irregularidades, ineficiência e falhas gravíssimas expostas em documento devastador
O Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo (MPC-SP) lançou um parecer arrasador sobre as contas de 2023 da Prefeitura de São Sebastião – um documento que escancara uma sucessão de falhas, omissões, descuidos e práticas consideradas ineficientes e irregulares na gestão pública. Trata-se de um retrato alarmante da administração municipal, com dados que apontam desorganização fiscal, desempenho pífio nos serviços essenciais e irregularidades milionárias em contratos.
O Parecer é CLARO: CONTAS REPROVADAS. E por motivos mais do que graves.
Caos na gestão fiscal: números que não fecham
Apesar de um superávit artificial impulsionado por royalties de petróleo, o MPC aponta descontrole e manipulação orçamentária:
1 – Superávit de R$ 449 milhões, inflado pelos R$ 911 milhões em royalties.
- Desobediência ao aporte previdenciário: a Prefeitura deixou de pagar R$ 44,5 milhões ao regime próprio de previdência.
- Orçamento desfigurado: alterações superiores a 110,18% do inicialmente aprovado.
- Dívida de longo prazo desfavorável, expondo fragilidades crescentes.
O recado do Ministério Público é duro:
Faltou planejamento, sobrou improviso.
2 – Educação e Saúde: A crise que se repete – e PIORA
O documento revela que, mesmo com altos investimentos obrigatórios, os resultados são desastrosos.
- IEG-M: nota “C”, desempenho baixo.
- Educação: déficit de 178 vagas de creche.
- Saúde: fila gigantesca, com 1.268 pacientes aguardando consultas oftalmológicas.
- Indicadores estacionados há cinco anos nas notas “C” e “C+”, mostrando que a Prefeitura não evolui.
Além disso, o MPC alerta para algo gravíssimo:
A oferta irregular de ensino é crime de responsabilidade.
3 – Contratos Irregulares: milhões sob suspeita
O parecer revela falhas graves em licitações e contratações públicas:
- Contrato de R$ 56,7 milhões com a NUPEC declarado irregular, com recomendação de devolução ao erário.
- Divergência de R$ 181 milhões entre royalties recebidos e contabilizados.
- Envio atrasado de documentos – comprometendo a transparência e dificultando a fiscalização.
O órgão de controle não deixou dúvidas:
Há reincidência e falhas que se repetem ano após ano.
4 – Gestão ambiental e saneamento em estado crítico
Mesmo com recursos bilionários entrando no caixa, os indicadores ambientais são chocantes:
- i-Amb: nota “C” por três anos seguidos, sem avanço.
- Apenas 71,13% da população tem água potável.
- Apenas 59,61% tem acesso à coleta de esgoto.
- Universalização só em 2033 – dez anos de atraso.
Um cenário indigno para uma das cidades mais ricas do Estado.
5 – Infraestrutura urbana e transporte: abandono completo
A Prefeitura falhou em:
- Garantir acessibilidade nos passeios públicos.
- Realizar pesquisa de satisfação do transporte coletivo.
- Fiscalizar o transporte individual privado.
A mensagem do MPC é dura:
Serviços essenciais não funcionam – e ninguém controla nada.
6 – Defesa Civil ignorada: tragédias anunciadas
O município não destinou recursos para prevenção de desastres, apesar de ter áreas de risco mapeadas desde 2018.
No mesmo ano, 64 pessoas morreram no desastre de fevereiro de 2023.
O Ministério Público relaciona a tragédia à inércia da administração, classificando como falha gravíssima.
7 – Desapropriações, shows e desperdício
O parecer denuncia:
- Desapropriações sem análise ambiental e sem comprovar interesse público.
- R$ 4,785 milhões gastos em shows enquanto faltam remédios, exames e vagas.
8 – Controle Interno: praticamente inexistente
A cidade inteira depende de um único servidor no controle interno – e sem envio de relatórios ao prefeito.
O MPC afirma que a falta de fiscalização interna permitiu que erros e irregularidades se repetissem em diversas áreas.
CONCLUSÃO AVASSALADORA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS
O parecer é desfavorável e destaca:
- Reincidência de falhas graves.
- Baixa efetividade das políticas públicas.
- Inércia na saúde, educação, saneamento e defesa civil.
- Irregularidades contratuais e orçamentárias.
- Falta de planejamento e governança.
O órgão recomenda que a Prefeitura seja responsabilizada e que adote medidas urgentes.
A continuidade dessas falhas pode gerar consequências legais e financeiras severas para a administração.
Em resumo:
O parecer de 2023 expõe uma gestão que, apesar de milhões em royalties, não entrega resultados, não previne tragédias, não executa políticas públicas e não presta contas de forma adequada.
É um escândalo administrativo.
Assista os videos





















