Programa ‘Tempo de Despertar’ promove ciclo de dez semanas voltado à responsabilização e à mudança de comportamento de autores de violência doméstica
A Prefeitura de São Sebastião atua em parceria com a Associação de Amparo à Mulher Sebastianense (AAMS) no desenvolvimento do Grupo Reflexivo ‘Tempo de Despertar’, iniciativa voltada a homens autores de violência doméstica encaminhados por determinação judicial. O trabalho busca promover a responsabilização, a reflexão sobre comportamentos violentos e a prevenção de novas ocorrências.
O programa conta com o apoio da administração municipal e a participação de profissionais da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Guarda Civil Municipal (GCM), da Secretaria de Saúde (Sesau) e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social (Sedes), que contribuem com diferentes temas ao longo dos encontros.
Em São Sebastião, cada ciclo tem duração de dez semanas. Durante esse período, os participantes passam por atividades conduzidas por uma equipe multiprofissional e discutem temas relacionados à violência doméstica, à paternidade, à saúde do homem, à saúde mental, aos direitos, às relações familiares e aos padrões de comportamento construídos ao longo da vida.
Segundo a socióloga Mara Pereira Nasser, uma das coordenadoras do projeto, a proposta é fazer com que os participantes reflitam sobre a origem e a reprodução de comportamentos violentos.
“O objetivo desse grupo é trazer esses homens para refletir sobre o seu comportamento. Durante as semanas, trabalhamos questões como machismo, saúde, a própria violência e suas raízes, paternidade, direitos, tipos de violência e como funciona a medida protetiva, buscando uma mudança cultural e de comportamento para que não haja reincidência”, explica.
Na última semana, a GCM participou do programa por meio da Patrulha Maria da Penha. A equipe abordou medidas protetivas e diferentes formas de violência, além de orientar os participantes sobre o cumprimento das determinações judiciais.
Entre os temas discutidos estão as violências física, sexual, moral e patrimonial, além de outras manifestações e comportamentos relacionados à violência contra a mulher. A proposta é ampliar a compreensão dos participantes sobre atitudes que podem configurar violência e contribuir para evitar sua repetição.
“Os homens saem daqui cientes das tipologias de violência. A ideia é que eles saibam identificá-las, não tenham dúvidas e não voltem a praticá-las”, destaca a socióloga.
A participação da GCM também está relacionada ao trabalho desenvolvido pela Patrulha Maria da Penha no acompanhamento de mulheres com medidas protetivas. Durante o encontro, os agentes orientam os participantes sobre a forma correta de cumprir as determinações impostas pela Justiça.
“A Patrulha Maria da Penha faz as visitas às mulheres e também está conosco no grupo. Os homens saem da palestra entendendo qual é a forma correta de cumprir a medida protetiva”, acrescenta a socióloga Mara Nasser.
Entre os assuntos trabalhados estão a saúde do homem e a saúde mental. O grupo também recebe profissionais de outras áreas para abordar temas relacionados à cidadania, ao Direito de Família e às diferentes manifestações da violência.
A assistente social Sandra Aparecida Lourenço, funcionária da associação, explica que a atuação da entidade no município teve origem no atendimento às mulheres e, posteriormente, foi ampliada para o enfrentamento à violência doméstica.
Atualmente, o atendimento às mulheres em situação de violência é realizado por outro serviço especializado, enquanto a AAMS desenvolve o trabalho direcionado aos homens autores de violência.
O comparecimento a programas de recuperação e reeducação pode ser determinado judicialmente no âmbito da Lei Maria da Penha. A legislação prevê esse tipo de medida como parte dos mecanismos de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.




















